Defender a ciência e o conhecimento é defender o seu emprego

                                                             
                                                                 

O desejo e mesmo a necessidade de escrever sobre esse tema surgiu com o início do ano letivo e com a convicção de que nós, profissionais dos campos do conhecimento e da educação, devemos nos engajar e nos envolver, cada dia mais,para defendê-los, pois, objetivamente, devemos concluir que essa é uma luta pela sanidade mental e pela sobrevivência profissional. Na segunda feira, dia 10 de fevereiro, porém, ao ter acesso à entrevista do médico sanitarista Dráuzio Varela ao programa “Roda Viva” da Rede Cultura (segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=lupK2fBHDIg), senti-me confortado e, ao mesmo tempo, mais animado para escrever e para continuar lutando pelo direito ao ensino, à pesquisa e ao conhecimento científico e contra todas as formas de censura e manipulação.
            Historicamente vemos que o mundo passa por períodos de fervorosos ataques à ciência e tentativas de implantação de pensamento único, sem discordâncias. Essa situação geralmente ocorre em governos autoritários, ditaduras e outras formas de poder que combinam extremismo religioso, falso moralismo de costumes, criação de inimigos imaginários (internos e externos, que podem ser sistemas políticos e/ ou pessoas) e frequentes ataques à Democracia, com eventuais quebras dessa.
            Como alguns exemplos temos a ditadura nos países da América Latina, incluindo o Brasil, o Nazismo na Alemanha e o Fascismo na Itália. Nessa cruzada contra o conhecimento, porém, os detentores do poder buscam destruir as memórias sobre esses fatos, numa tentativa de negar que os mesmos tenham ocorrido, realizando aquilo que é chamado de “Diversionismo ou Negacionismo histórico”. Essas tentativas configuram, na verdade, mais exemplos de ataque à ciência e ao conhecimento já que nessas ações não é apresentada nenhuma pesquisa, nenhum estudo ou nenhum fato novo, são emitidas apenas opiniões. Devemos ter certeza, no entanto, que opinião é diferente de conhecimento.


                                                  



            Especificamente no nosso país, somos confrontados, quase que cotidianamente, com insultos e um mundo de absurdos que desmerecem e ofendem aos professores, cientistas e produtores e divulgadores de conhecimento em geral. As falas “contemplam” vários temas e campos passando por fake news sobre supostas doutrinações e plantações de maconha existentes em Universidades Públicas, sem nenhuma prova apresentada pelo ministro da Educação ou repetidores dessas falas.
            Temos também afirmações dizendo que o planeta Terra é plano ou que não é necessário se vacinar como forma de prevenção de doenças, pois as próprias vacinas deixariam as pessoas doentes. Os dizeres sobre as questões ambientais são de estarrecer: Ministro de Relações Exteriores fala que não existe Aquecimento Global, pois este seria resultado de uma conspiração global de esquerda. Ainda existem as falas sobre as queimadas na Amazônia, tentando diminuir a situação, contradizendo dados do INPE, o instituto oficial o governo.
            Carxs colegas, poderia escrever muitas páginas sobre as inacreditáveis falas com ataques à Ciência e ao conhecimento. No entanto, deixarei aqui apenas alguns exemplos e um chamado para combatermos essa situação, pois, as falas não são “apenas” fruto de desinformação. A maior parte delas é intencional, buscam atingir objetivos econômicos e sociais. Desta forma, quem trabalha com conhecimento deve refletir, pois, ataques à ciência e ao conhecimento colocam em risco sua sanidade mental, sua estabilidade profissional e por fim, seu emprego.





                                         
           


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