As Pandemias mudando radicalmente a história da humanidade


Na quarta-feira, dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o surto de coronavírus é uma “pandemia global”. Uma pandemia é uma epidemia de doença infecciosa que se espalha entre a população localizada numa grande região geográfica como, por exemplo, um continente, ou mesmo o Planeta Terra. Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da organização, afirmou em entrevista coletiva que o alto número de casos fora da China torna necessária a declaração. “Estamos preocupados com os níveis alarmantes de propagação e com os níveis alarmantes de inação”.
No Brasil, a situação evolui a cada dia, assim como as recomendações oficiais à população. Conforme o Ministério da Saúde, até a noite desta quinta-feira, dia 19 de março, o país tem 635 casos confirmados e 07 mortes. E o pior: há casos de transmissão comunitária nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Esse tipo de transmissão é aquela que ocorre de uma pessoa para outra, em contatos diários, comuns. Assim, o contaminado não é mais apenas a pessoa que havia viajado para onde havia foco de transmissão, fora do Brasil. Desta forma, não é mais possível indicar a trajetória da infecção, indicando que já há circulação do vírus, em território nacional.
A pandemia ameaça estabelecer uma crise humanitária, pelas perdas de vida e outra crise financeira. Afinal, a ameaça de uma recessão mundial por causa do agravamento do surto de coronavírus levou governos do mundo inteiro a atuarem para diminuir os efeitos, na economia, da pandemia que isolou dezenas de cidades, deixou milhares de trabalhadores sob quarentena e afetou a produção de grandes indústrias e a movimentação financeira de produtos e serviços.
Quando há um isolamento ou quarentena, as pessoas, em suas casas, diminuem ou cessam o consumo de produtos e serviços, ocasionando grande impacto econômico em sua região, país e em todo o mundo. Ou seja, após os graves problemas na área da saúde, teremos também as consequências econômicas.




As pandemias não são novidade na história do mundo, elas ocorrem desde sempre e marcaram períodos com muitas mortes, tristezas e consequências trágicas para a humanidade. Vejamos algumas delas:
A Peste Negra foi a proliferação generalizada de uma doença causada pelo bacilo Yersinia pestis, que se deu na segunda metade do século XIV, na Europa. A Peste Negra teria sua origem no continente asiático e sua chegada à Europa está relacionada às caravanas de comércio que vinham da Ásia através do Mar Mediterrâneo e aportavam nas cidades costeiras europeias, como as italianas Veneza e Gênova. Calcula-se que cerca de um terço da população europeia tenha sido dizimada por conta da peste.
A propagação da doença, inicialmente, deu-se por meio de ratos e, principalmente, pulgas infectadas com o bacilo, que acabava sendo transmitido às pessoas quando essas eram picadas pelas pulgas – em cujo sistema digestivo a bactéria da peste se multiplicava. Num estágio mais avançado, a doença começou a se propagar por via aérea, através de espirros e gotículas. Contribuíam com a propagação da doença as precárias condições de higiene e habitação que as cidades e vilas medievais possuíam – o que oferecia condições para as infestações de ratazanas e pulgas.
       Como ainda não havia um desenvolvimento satisfatório da ciência médica nesta época, não se sabia as causas da peste e tampouco os meios de tratá-la ou de sanear as cidades e vilas. A peste foi denominada “negra” por conta da cor das afecções na pele da pessoa acometida por ela. Isto é, a doença provocava grandes manchas negras na pele, seguidas de inchaços em regiões de grande concentração de gânglios do sistema linfático, como a virilha e as axilas. Esses inchaços também eram conhecidos como “bubões”, por isso a Peste Negra também é conhecida como Peste Bubônica. A morte pela peste era dolorosa e terrível, além de rápida, pois variava de dois a cinco dias após a infecção.
Outro fenômeno da época em que se desencadeou com a peste foi a atribuição da causa da moléstia aos povos estrangeiros, notadamente aos judeus. Os judeus, por não serem da Europa e por, desde a Idade Antiga, viverem em constante migração, passando por várias regiões do mundo até se instalarem nos domínios do continente europeu, acabaram por se tornarem o “bode expiatório” das multidões enfurecidas. Milhares de judeus foram mortos durante a eclosão da Peste.



GRIPE ESPANHOLA: causada pelo vírus influenza H1N1, entre 1918 e 1919. A epidemia mais mortal da história — foram mais de 50 milhões de vítimas e se espalhou por quase toda parte do mundo, tendo contaminado mais de 500 milhões de pessoas (ou quase 27% da população mundial na época.
Em março de 1918 um soldado da base militar de Fort Riley, Kansas, nos Estados Unidos (que treinava cidadãos americanos para a Primeira Guerra Mundial, que ocorreu entre 1914 e 1918), ficou de cama, com sintomas de uma forte gripe. Naquela semana, mais de 200 soldados adoeceram também. Em apenas 14 dias, mais de mil militares foram parar em hospitais — e o mal se alastrou... A doença se espalhou rapidamente pelos EUA e pegou carona com os soldados americanos que embarcaram para a Europa. E de lá ganhou o mundo.  
       A chamada gripe espanhola — que nada tem de espanhola — matou mais pessoas entre 1918 e 1919, que o número total de mortos provocado pelas duas grandes guerras mundiais juntas. Mais do que a AIDS causou em 40 anos. E o Brasil não passou ileso por ela. Por aqui foram cerca de 35 mil óbitos, entre eles o do presidente da época, Rodrigues Alves, em 1919.
       E de onde veio o nome “gripe espanhola” se a tal gripe provavelmente se originou em solo americano? A Espanha era um dos poucos países neutros durante a Primeira Guerra e assim, um dos poucos a ter imprensa livre para noticiar a epidemia. Desta forma, herdou a “titularidade” da doença. Nos próprios EUA, o então presidente Woodrow Wilson (1856-1924) emitiu ordens para censurar qualquer notícia que pudesse abalar a população e os soldados. A situação foi a mesma em outras nações em guerra. Ocorre que o esforço para manter a epidemia em segredo contribuiu para sua rápida disseminação. Ora, como propagar e tomar medidas preventivas se ninguém sabe o que está acontecendo?

Coincidência com o que está acontecendo no momento com o COVID-19?




        H1N1-2009: pandemia de gripe de 2009 (inicialmente designada como gripe suína e gripe mexicana e em abril de 2009 como gripe A) foi um surto global de uma variante de gripe suína cujos primeiros casos ocorreram no México em meados do mês de março de 2009. Veio a espalhar-se pelo mundo, tendo começado pela América do Norte, atingindo pouco tempo depois a Europa e a Oceania. O vírus foi identificado como uma nova cepa do já conhecido Influenza A subtipo H1N1, o mesmo vírus responsável pelo maior número de casos de gripe entre humanos, o que tornou possível também a designação nova gripe A, em oposição à gripe A comum. Os sintomas da doença são o aparecimento repentino de febre, tossedor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações, irritação nos olhos e fluxo nasal.
        A OMS elevou o status da doença em junho de 2009, depois de contabilizar 36 mil casos em 75 países. No total, 187 países registraram casos e quase 300 mil pessoas morreram. O fim da pandemia foi decretado pela OMS em agosto de 2010.



        Assim, as pandemias fizeram e fazem parte da história da humanidade. Porém, a forma como estaremos após a epidemia passar, irá depender de que como lidamos com a mesma.A História nos mostra que, inicialmente, três questões são determinantes para o combate: informação, uso correto dessa informação e hábitos de boa higiene.
       Quanto mais se omitir, mais se negar a informação sobre o que está ocorrendo, mais difícil será para se preparar para lutar contra a doença. Os governos, as instituições de saúde não podem esconder as informações, nem desconsiderá-las como adolescentes inconseqüentes.  A população, por sua vez, deve saber usar essa informação, sem dogmas, sem obscurantismo e acreditando na ciência, sempre. Na Peste Negra ocorrida na Idade Média, período de grande domínio social e individual da Igreja Católica, acreditava-se que a doença era um castigo divino e, para expiar os pecados, ocorriam sessões de autoflagelamento pelas cidades, o que ocasionavam ferimentos nos corpos, aumentado a exposição às bactérias. Não podemos, obviamente, cometer anacronismo (atribuir a uma época ou a um personagem ideias e sentimentos que são de outra época). Eram as crenças e a cultura da época.
       Porém, na atual epidemia de coronavírus, vários líderes de igrejas são contrários ao fechamento das mesmas e dizem que para combater a doença é necessário oração. Sabemos, porém, que aglomerações aumentam as possibilidades de contaminação em massa.  Também ouvimos e lemos sobre “Teorias da Conspiração”, ligadas a uma ideologia (extremamente confusa) de extrema direita que o vírus teria sido criado em laboratório pela própria China. Porém, vejamos: a China criaria um vírus que prejudicaria a própria economia?
       Desta forma, é fundamental ter racionalidade: a epidemia chegou ao Brasil! A doença pode matar! Na Itália o número de mortos já é maior que o da própria China, local onde se originou toda a pandemia. É necessário, no entanto, afastar o pânico, pois, com ele, as decisões são problemáticas. Porém, conforme disse Angela Merkel, chanceler da Alemanha, é uma situação inédita na Europa, desde a Segunda Guerra Mundial: o isolamento social generalizado, grande número de mortes e incertezas sobre o que vai acontecer amanhã. Vivemos, de fato, um dramático momento da História da humanidade.



Vander de Andrade
Professor de História/Historiador
Graduado em História e Especialista em Tecnologias Digitais e Educação 3.0


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profdeandrade@gmail.com
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https://www.instagram.com/vanderdeandrade




Comentários

  1. Texto bem escrito e com relevantes dados. Excelente contextualização nos levando a uma reflexão do atual momento. Muito bom!!

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  2. Informação com riqueza de dados em um texto muito bem elaborado.

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