Entenda a importância das eleições municipais em 2020

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Mesmo com a Pandemia de coronavírus e todas as suas conseqüências, teremos em novembro as eleições municipais, que irão eleger prefeitos e vereadores nas cidades do Brasil. Devido à crise sanitária, a votação foi adiada de outubro para novembro: o primeiro turno será no dia 15 e o segundo turno ocorrerá no dia 29.Mesmo com todas as restrições impostas pela crise da doença, é importante ter a eleição neste ano. Basta lembrar que os Estados Unidos da América também mantiveram as eleições para a presidência em 2020.O voto é muito importante em nosso contexto político, ainda que tenhamos que discutir, de maneira urgente, a Democracia Representativa que temos hoje. Da maneira como ela funciona, grande parte da população acaba sendo excluída das decisões políticas e somente participa do processo político nas eleições, a cada dois anos. É necessário compreender, no entanto, que política é algo muito maior que votação. Temos visto nos últimos anos várias novas formas de participação política,…

Uma história de Pandemia de ignorância

                                                     
                                       
         


A chave misteriosa das desgraças que nos afligem é esta; e somente esta: a Ignorância! Ela é a mãe da servilidade e da miséria. 


Rui Barbosa


A ignorância acompanha a história da humanidade desde o surgimento desta. Ela é fonte dos maiores conflitos entre os seres humanos e destes, com o seu meio ambiente. Pode ser considerada a “pior doença” que habita o planeta e causadora de guerras, atentados, terrorismo, fome, miséria, doenças, crimes e da perda de um grande número de brilhantes cérebros que criaram e lutaram pelo progresso da humanidade, mas, foram eliminados devido ao não entendimento e à intolerância com aquilo que pregavam. Podemos concluir então, que a ignorância é também causadora de um grande retrocesso na caminhada dos humanos.

Mas, o que seria exatamente a ignorância?


A ignorância se refere à falta de conhecimento. A palavra ignorante é um adjetivo que descreve uma pessoa que de fato não possui a informação, mas, também pode descrever indivíduos que conscientemente ignoram ou desconsideram informações ou fatos importantes. A ignorância pode aparecer em três tipos diferentes: ignorância factual (ausência de conhecimento de algum fato), ignorância objetual (não-familiaridade com algum objeto) e ignorância técnica (ausência de conhecimento de como fazer alguma coisa).

Opção pela ignorância?

As pessoas não experimentam gratificação instantânea e, portanto, muitas não investem tempo e esforço no aprendizado e desenvolvimento. Erradicar a ignorância completamente da vida de um indivíduo é uma tarefa impossível, mas, reduzir a lacuna pode realmente beneficiar o indivíduo e a sociedade, a longo prazo.

Além disso, tomar a decisão de permanecer ignorante comprometendo-se com uma ideologia, apesar da prova científica contrária ao que se pensa, é uma mentalidade perigosa que pode inibir um indivíduo de descobrir a verdade e, portanto, de se desenvolver como indivíduo e contribuir de forma positiva com a sociedade em que ele está inserido.

Em outras palavras: ignorância é não saber e não querer saber sobre o conhecimento científico comprovado por métodos e pela lógica. O ignorante desqualifica o conhecimento do outro e enaltece sua própria falta de conhecimento. Ele cria idéias falsas sobre si, e sobre o mundo que o cerca.




A ignorância na história



Como dito anteriormente, a ignorância é causadora de perdas de um grande número de brilhantes cérebros que criaram e lutaram pelo progresso da humanidade. Vejamos um pouco sobre alguns deles:

SÓCRATES - foi o primeiro dos três grandes filósofos gregos que estabeleceram as bases do pensamento ocidental (os outros dois foram Platão e Aristóteles). Nasceu em Atenas, na Grécia antiga, por volta do ano 470 a.C. e, fez com que a filosofia descesse dos céus para a terra. Em seus pensamentos, demonstrava uma necessidade grande de levar o conhecimento para os cidadãos gregos.

Ele foi acusado de não reconhecer os deuses do estado, introduzir novas divindades e corromper a juventude. Os seus argumentos, recheados de ironia, faziam corar os acusadores, que, pela força dos argumentos, ficavam sem palavras para prosseguir na acusação. Foi condenado a morrer tomando cicuta, em 399 a.c..


GIORDANO BRUNO (1548-1600)-foi um frade dominicano, filósofo, matemático e teólogo italiano da época do Renascimento (século XVI). O religioso ficou conhecido por ter sido condenado à fogueira pela Inquisição por prática de heresia. Ele defendia a teoria heliocêntrica, então contrária às teses defendidas pela Igreja Católica. Afirmava a existência de outros mundos e ainda questionava a natureza divina de Jesus Cristo.

Em 17 de fevereiro de 1600, foi queimado vivo depois de dois julgamentos e seis anos de cárcere em Roma. Morreu como símbolo de um tempo de mudança.


Para não morrer, teve cientista que negou suas próprias idéias



GALILEU GALILEI- foi físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano. Galileu Galilei foi personalidade fundamental na revolução científica europeia. Melhorou significativamente o telescópio refrator e com ele descobriu as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vênus, comprovando que a Terra girava em torno do céu. Estas descobertas contribuíram decisivamente para a defesa do heliocentrismo.

Suas observações o levaram a grandes descobertas que contrariavam as crenças filosóficas e religiosas da época. Em 1633, a Santa Inquisição prendeu e julgou Galileu por heresia. Para evitar que fosse queimado vivo, Galileu Galilei se viu obrigado a renegar suas ideias.

Amostras múltiplas de ignorância pelo mundo, ao longo do tempo


A história continuou a avançar e no século XIX tivemos discussão e fake news sobre a vacinação no Brasil, conforme visto post anterior: Fake News durante a pandemia de coronavírus: a doença infectada por mentiras.

Tivemos vários conflitos mundiais no século XX e os regimes fascistas antes e durante a Segunda Guerra Mundial, a partir a década de1930. Em algum momento podemos ter questionado como grande parte da população alemã apoiou o Nazismo implantando por Adolf Hitler, mas, os cenários políticos e sociais atuais pelo mundo e, principalmente, no Brasil, nos fornecem elementos para a resposta. Novamente veremos as presenças da ignorância e da intolerância.

Na década de 1970 tivemos o lamentável episódio da desinformação da população sobre a epidemia de meningite. A censura imposta à imprensa pela ditadura civil-militar impediu a circulação de informações e contribuiu para aumentar a circulação da doença e retardou a vacinação. Muitas mortes poderiam ter sido evitadas.

A partir do fim de 2019 uma Pandemia do novo coronavírus varre o mundo. Os países inicialmente mais atingidos foram China, Irã e Itália, os mesmos que estavam ligados pela antiga Rota da Seda, no século XIV. Por essa mesma rota de comércio, entre o Oriente e a Europa, a Peste Negra se espalhou por volta do ano de 1.346, pelas duas regiões com a ganância, o descuido e a ignorância sobre sua causa, seus meios de transmissão ou pelo desconhecimento dos tratamentos necessários para os doentes.

Junto com o COVID-19 uma inacreditável onda negacionista formou uma rede de má informação, e mesmo de fake news, em boa parte do mundo e de forma absurda no Brasil. Inicialmente foi afirmado que a doença não existia ou que ela não deveria ser considerada. Posteriormente encontraram uma forma mágica de cura da doença, um medicamento, que ainda não foi devidamente testado pela indústria farmacêutica, NO MUNDO, conforme afirma a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Atualmente afirmam que o número de mortes informado pelo Ministério da Saúde do Brasil é falso, estaria superdimensionado, sendo nele incluídas outras mortes de outras causas.

Pelas redes sociais e pelo whatsaap nos chegam informações e “notícias” infantis e mesmo risíveis de conspirações para derrubar o presidente do Brasil. Sugerem que todo o mundo participasse e que a pandemia seja um ato atos político. Assim, as mortes seriam “apenas” detalhes.

Essa onda é criada, sustentada e recriada pelo autoritarismo (disfarçado de populismo) que cresceu de forma assustadora nos últimos anos no mundo. Assim, essa onda é retroalimentada em tempo contínuo.

No entanto, hoje, não se pode comparar a quantidade de informação científica disponível sobre o coronavírus e, principalmente como evitá-lo, com a ignorância absoluta sobre doenças do passado, em especial a Peste Negra. No entanto, de forma inicialmente inexplicável, ainda enfrentamos riscos de saúde pública, com consequentes possibilidades de muitas mortes, muitas vezes completamente evitáveis, pelas formas irracionais que os meios de comunicação estão sendo usados pelas pessoas e grupos.


Desta forma, podemos chamar esta situação de ignorância voluntária? Por quais motivos alguém segue o caminho contrário ao da ciência, de forma cega e discute, briga com o amigo, com a família, impedindo o debate e arriscando a própria saúde? Qual a explicação desse fenômeno? Por que muitas pessoas se imunizaram contra a informação, e se retroalimentam apenas de “notícias” que confirmem suas opiniõe



 Querem viver um coronafest?


                       




Questionamentos estranhos para um mundo tão repleto de informações. O que se pode afirmar, no entanto é que por ignorar e por desconhecer as conseqüências futuras dos seus atos, o ignorante é antes de tudo um irresponsável e um egoísta.



“Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância” 



Martin Luther King











REFERÊNCIAS:





https://www.poder360.com.br/opiniao/brasil/os-ignorantes-propositais-e-os-cumplices-involuntarios-por-paula-schmitt/




https://www.poder360.com.br/opiniao/midia/desonestidade-intelectual-e-a-cegueira-da-desatencao-por-paula-schmitt/



https://www.uai.com.br/app/noticia/cinema/2020/04/12/noticias-cinema,257461/quero-que-as-coisas-nunca-mais-voltem-ao-normal-diz-fernando-meirel.shtml




https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/psicologia/ignorancia-mal-dos-seculos.htm Publicado por: Carleial. Bernardino Mendonça




https://ufmg.br/comunicacao/noticias/a-rota-da-ignorancia-do-coronavirus




Marcondes, Danilo- Textos básicos de filosofia e história das ciências: a revolução científica/Danilo Marcondes. – 1.ed. – Rio de Janeiro: Zahar, 2016.




Vander de Andrade
Professor de História/Historiador
Graduado em História e Especialista em Tecnologias Digitais e Educação 3.0


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