Dicas de sobrevivência profissional para o professor durante e após o Ensino Remoto


A adoção do Ensino Remoto tem sido problemática, como vimos no post anterior (A perigosa aceleração da EAD no Ensino Fundamental)   No entanto, ele está em funcionamento e o professor necessita estar minimamente preparado para tal empreitada. Assim, segue uma pequena história da tecnologia, desde o surgimento da humanidade até sua inserção no mundo da educação, além de análises de como lidar com essa situação e uma introdução em dicas de uso.

Devemos ter em conta que após essa Pandemia as posturas exigidas frente ao processo de Ensino aprendizagem serão outras. Também não podemos nos esquecer que todos os alunos, até o Ensino Médio, são nativos digitais, isto é, já nasceram em meio às Tecnologias Digitais e que a discussão sobre tecnologia na Educação é ultrapassada.
                                    
Um conceito de tecnologia e um pouco de sua história



O conceito de tecnologia geralmente é relacionado apenas aos modernos equipamentos eletrônicos que utilizamos em nosso cotidiano: televisão, computador, smartphone, dentre outros. No entanto, a tecnologia se confunde com a própria história da humanidade e diz respeito a muitas outras coisas além das máquinas. Ela engloba a totalidade de coisas que o cérebro humano conseguiu criar em todas as épocas, suas formas de uso, suas aplicações.

Assim, as ferramentas criadas pelo homem pré-histórico para caçar, para se defender dos animais selvagens, são exemplos de tecnologia. A Revolução Agrícola, no Período Neolítico, as construções das grandes pirâmides no Egito Antigo também tiveram muita presença da tecnologia. Na Idade Média, erroneamente chamada de “Idade das Trevas”, também houve desenvolvimento de tecnologia, nas construções dos belíssimos castelos medievais. Uma das maiores explosões de tecnologia da história ocorreu na Revolução Industrial do século XVIII, iniciada na Inglaterra, que alterou a forma de produção de mercadorias passando de manufatura para maquinofatura. Surgiram as fábricas a vapor e a produção em série.
Posteriormente, no século XIX, tivemos um momento de grande evolução da tecnologia com o surgimento do trem de ferro, do telefone e de outras maravilhas “modernas”. Com as duas guerras mundiais, já no século XX, ocorreram evoluções tecnológicas no campo dos armamentos e também na conservação de alimentos para os soldados nos fronts de batalhas. Após esses grandes conflitos mundiais estabeleceu-se um fluxo contínuo de evolução tecnológica, passando pela criação dos computadores, pelo GPS e pela impressionante Inteligência Artificial.
Desta forma, as tecnologias têm trazido mudanças de grande impacto ao longo da história da humanidade e são vistas, por muitos, como a solução para os problemas da educação. Principalmente nesse momento de impossibilidade de aulas presenciais. No entanto, com a evolução, diversificação e popularização das tecnologias, sobretudo as digitais, novos desafios se colocam para professores e estudantes, tornando necessário o aprofundamento do conhecimento sobre seu uso crítico nos processos de ensino-aprendizagem.
                             


As tecnologias Digitais

 Tecnologia Digital é um conjunto de que permite, principalmente, a transformação de qualquer linguagem ou dado em números, isto é, em zeros e uns (0 e 1). Os computadores fazem a tradução dessa sequência numérica e nos oferecem, em formato final, uma imagem, um som, um texto, ou a junção de todos eles. A tecnologia digital se contrapõe à tecnologia analógica, que fazia uso de uma materialidade diferente para existir. 
Após a 2ª Guerra Mundial as tecnologias digitais, e também as tecnologias de comunicação e informação, conheceram um desenvolvimento sem precedentes, impulsionado pela busca de supremacia econômica e bélico-militar, no contexto da Guerra Fria.
A evolução e a confluência das tecnologias digitais com as novas tecnologias de informação e comunicação marcaram toda a segunda metade do século XX, sobretudo, a partir do desenvolvimento da internet, iniciado em 1969, que ligava inicialmente departamentos de pesquisa e entidades militares estadunidenses. Atualmente, o uso de tal tecnologia é notado em vários equipamentos como celulares, computadores, videogames e até mesmo as urnas eletrônicas em que votamos. A partir da tecnologia digital muitas outras tecnologias puderam se desenvolver.
Os chamados hipertextos (camadas de documentos interligados como textos, imagens, áudios e vídeos) funcionam como páginas sem numeração e assim, sem linearidade, possibilitando informações variadas sobre determinado tema. Os hipertextos reconfiguraram as formas  como temos acesso às informações.
A linguagem digital, através Tecnologias Digitais de Informação e


Comunicação (TDIC’s), impõe mudanças cotidianas nas formas de acesso à informação, à cultura e ao entretenimento. Além disso, é capaz de influenciar, cada vez mais, a constituição de conhecimentos, valores e atitudes.

Tecnologias Digitais na Educação

O uso de tecnologia, no processo de ensino aprendizagem, é de suma importância para que ocorra uma mudança no padrão educacional em que estamos inseridos e que há tempos não passa por transformações evolutivas. Os alunos mudam radicalmente e hoje são nativos digitais, como ditos no início do texto. As formas de comunicação e informação também mudam constantemente e assim, a busca e a construção pelo conhecimento podem e devem se dar de várias formas diferentes.
As profundas reconfigurações sociais, em consequência do acesso e do uso das TIDCs, atingem a todos. Comportamentos, práticas, informações, saberes, se alteram com muita rapidez. Essas alterações influem sobre as tradicionais formas de pensar e fazer educação. Abrir-se para “as novas educações”, resultantes e possíveis, pelas constantes transformações tecnológicas, é o desafio a ser assumido não apenas pelos profissionais da Educação, mas, pelo conjunto da sociedade.




Porém, sabemos que a simples aplicação de tecnologia na educação não promove o ensino se não for eficiente. Grande parte das crianças e dos adolescentes, ao contrário do que pensamos, não domina as ferramentas tecnológicas. Muitos não sabem pesquisar, produzir apresentações e nem compartilhar informações e arquivos. A maioria está presa apenas às redes sociais, aos jogos e a tudo relacionado ao entretenimento.
E o mais óbvio: um número muito grande de alunos simplesmente não tem acesso à internet. Muitas escolas, principalmente as públicas, não estão equipadas, preparadas para proporcionar esse tipo de formação. E também, muitos professores não estão capacitados para trabalhar com essa realidade.

Quais seriam as soluções?

Nesse momento em que não é possível o retorno às aulas presenciais, o discurso para a Educação tem girado muito em torno da tecnologia. Na prática, pouco de produtivo temos visto, mesmo com o Ensino Remoto, porém, esse seria fruto uma ação paliativa e necessária (?). E como trazer, engajar os alunos e, ao mesmo tempo, manter a saúde mental e física, do professor?
É necessário, pensar, analisar e buscar não ser sufocado por se sentir pressionado a dominar todos esses recursos repentinamente. Eles são aliados na aprendizagem durante a pandemia (e devem também ser depois dela), mas, sozinhos, não resolverão todos os problemas da Educação.
A solução passa, necessariamente, pela presença e pela atuação do professor que se esforça para fazer seus conteúdos chegarem aos alunos em locais aonde a tecnologia não chegou. Temos imensos e profundos problemas estruturais na Educação brasileira e o professor deve tomar seu lugar fundamental para buscar diminuí-los. A Pandemia estabeleceu um problema geral e social, mas, sabemos que muitos impactos e suas soluções podem ser particulares, pessoais.
As soluções passam por saber como chegar até o aluno e sobre como utilizar as ferramentas. Em cada história pessoal é essencial pensar que o esforço necessário para enfrentar esse momento não é dar conta de tudo, mas, sim, conseguir ver aquilo que faz sentido para você, pro seu contexto, e mergulhar nisso.


Para contribuir nesse processo, teremos na próxima semana neste blog uma postagem relacionando e orientando sobre o uso de várias ferramentas tecnológicas, como uso do smartphone, Face book, vídeos, Mapas Mentais e outras. NÃO PERCA!!!


Vander de Andrade
Professor de História/Historiador
Graduado em História e Especialista em Tecnologias Digitais e Educação 3.0

http://www.históriadofuturo.com
profdeandrade@gmail.com
https://www.facebook.com/vander.deandradefariasfilho
https://www.instagram.com/vanderdeandrade




REFERÊNCIAS
COSTA , Sandra Regina Santana et tal. Tecnologias Digitais como instrumentos mediadores da aprendizagem dos nativos digitais Revista Quadrimestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP. Volume 19, Número 3, Setembro/Dezembro de 2015: 603-610. Disponivel em: style="font-family:'Times New Roman', Times, serif;font-size:medium;"> . Acessado em 20 de Setembro de 2018.
CURY, Lucilene; CAPOBIANCO, Lígia. Princípios da História das Tecnologias da Informação e Comunicação: Grandes Invenções. Anais do 8º Encontro Nacional de História da Mídia. Guarapuava, PR, 2011.
GEWEHR, Diógenes. Tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC’s) na escola e em ambientes não escolares. Lajedo, p. 23-54, 2016.
KENSKI, V. M. (1998). Novas Tecnologias: o redimensionamento do espaço e do tempo e os impactos no trabalho docente. Revista Brasileira de Educação, nº8, 58-71. Acesso: 09 jun. 2014. Disponível: http://anped.org.br/rbe/rbedigital/RBDE08/ RBDE08_07_VANI_MOREIRA_KENSKI.pdf
KENSKI, Vani Moreira. Educação e tecnologias: Um novo ritmo da informação. 8. ed. Campinas: Papirus, 2012. p. 15-25.
RIBEIRO, Ana Elisa. Tecnologia Digital. Disponível em: < style="font-family:'Times New Roman', Times, serif;font-size:medium;">>. Acesso em 19 maio. 2020.



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