Entenda a importância das eleições municipais em 2020

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Mesmo com a Pandemia de coronavírus e todas as suas conseqüências, teremos em novembro as eleições municipais, que irão eleger prefeitos e vereadores nas cidades do Brasil. Devido à crise sanitária, a votação foi adiada de outubro para novembro: o primeiro turno será no dia 15 e o segundo turno ocorrerá no dia 29.Mesmo com todas as restrições impostas pela crise da doença, é importante ter a eleição neste ano. Basta lembrar que os Estados Unidos da América também mantiveram as eleições para a presidência em 2020.O voto é muito importante em nosso contexto político, ainda que tenhamos que discutir, de maneira urgente, a Democracia Representativa que temos hoje. Da maneira como ela funciona, grande parte da população acaba sendo excluída das decisões políticas e somente participa do processo político nas eleições, a cada dois anos. É necessário compreender, no entanto, que política é algo muito maior que votação. Temos visto nos últimos anos várias novas formas de participação política,…

A história do trabalho e o seu futuro após a Pandemia




Neste ano, no mês de maio, quando foi comemorado o dia do trabalho, a data aconteceu em meio a uma Pandemia de coronavírus, o que dificultou muito as comemorações. No entanto, não podemos deixar de pensar sobre o dia, seu significado, seu presente e seu futuro.
Muitas conversas têm sido feitas questionando, especulando sobre como serão o TRABALHO E A VIDA, após o fim da Pandemia de COVID-19. Como não há condições, obviamente, de haver uma certeza do que poderá ocorrer, várias apostas estão sendo feitas: o trabalho se tornará mais informal? A tecnologia dominará, de vez, o processo de trabalho?...
É fato, no entanto, que não voltaremos à normalidade de antes da Pandemia...

O que é Trabalho?

É preciso pensar, no entanto, que as tecnologias já eram uma ameaça ao trabalho, muito antes do surgimento da Pandemia. Dentre as profundas modificações trazidas pelas tecnologias na sociedade, um dos campos onde elas mais são sentidas, é no mundo do trabalho. E, quando as relações de trabalho alteraram-se, ao longo de nossa história, as nossas estruturas sociais também foram alteradas. Ou seja, mudanças nas formas de trabalho trazem conseqüências para todos os campos da sociedade.
Afinal, o trabalho não é apenas uma forma de produzir, bens, mercadorias e prestar serviços. Ele representa uma das maneiras de os seres humanos se diferenciarem dos animais. Trabalho é realizar uma atividade com uma intencionalidade. Através dele nos relacionamos com o mundo e com nossos próximos. Assim, é por meio do trabalho que o homem produz condições para manter-se vivo e manter viva a sociedade na qual está inserido.
Desta forma, o trabalho está ligado à identidade pessoal de cada um de nós. Quando alguém se apresenta a outra pessoa, geralmente cita a sua profissão ou a área de formação profissional.

Um pouco da história do trabalho


Ao longo da história, grandes modificações aconteceram nas formas de trabalho, ocasionando grandes mudanças para a vida humana.

O trabalho na Pré-História


A história do trabalho se confunde com a própria história da humanidade pois, o homem, pela necessidade e instinto de sobrevivência, começa a fabricar ferramentas e armas para usar na sua alimentação e para se defender das feras selvagens. Pedras, pedaços de lascas de árvore, ossos de animais, dentre outros instrumentos, foram usados para saciar as necessidades básicas das primeiras formas de vida humana, na busca por melhores condições para suas atividades do dia a dia.
O então homem pré-histórico passa a fabricar outras armas e desenvolver tecnologias, dominar o fogo, conhecer a natureza e assim prever períodos de secas, chuvas, represar águas e ser capaz de realizar a Revolução Agrícola. Plantar, estocar alimentos, formar povoados, cidades e posteriormente as primeiras civilizações. Essa forma de evolução possibilitou aumento populacional, propiciando sociedades mais complexas e drásticas mudanças nas formas de trabalho. Temos o surgimento das primeiras formas de trabalho escravo, por dívidas e guerras (prisioneiros e povos derrotados). Esse sistema funcionou em largo período de tempo na Antiguidade, em locais como Egito, Grécia e Roma.

O trabalho servil


Centenas de anos depois, durante a Idade Média, entre os séculos X e XIII, na Europa Ocidental, houve o predomínio de um sistema social denominado Feudalismo. Nesse período desenvolveu-se o trabalho servil.
Nos feudos, grande porções de terras dos senhores (feudais), o trabalho rural era realizado pelos servos (camponeses) que também pagavam tributos aos senhores e à igreja. Os servos não eram escravos. Porém, estavam presos à terra pelo resto da vida. A possibilidade de ascensão social era quase inexistente. Em troca de proteção e do direito de usufruir a terra (cultivavam uma parte do terreno para sua subsistência) trabalhavam para o senhor dono da terra.
Até a Idade Média, o trabalho tinha má reputação. Então, Martinho Lutero (realizador da Reforma Protestante) o pregou como dever divino.

O trabalho escravo mercantil


A partir do século XV os portugueses (antes de chegarem ao Brasil), então nação muito desenvolvida no campo naval, desembarca no continente africano à procura de ouro. Não encontrando o metal precioso, inicia a escravização dos africanos. Eles eram capturados, escravizados e vendidos. Era o início da escravidão mercantil, um negócio em si, que viria a render muito dinheiro para a Coroa portuguesa. Essa forma de escravização, que passa a ser um negócio, havia sido inaugurada pelos árabes logo após o fim do Império Romano.
A partir do século XVI, Portugal e Espanha passaram a colonizar grandes partes do continente americano. No início e ainda por um bom período de tempo, essas metrópoles utilizaram-se do trabalho escravo dos indígenas, então habitantes nativos dessas terras. Com o passar do tempo, e com a diminuição da população indígena, africanos passaram a ser capturados na África e escravizados, principalmente no Brasil, dando sequência à escravização mercantil citada acima.
Além da escravidão ser um negócio, os negros escravizados eram utilizados em muitos diferentes serviços como a produção de cana de açúcar, trabalhos domésticos, nas minas de metais preciosos e diamantes e, por fim, na produção de café.
O trabalho, escravo também foi utilizado em larga escala nas treze colônias inglesas na América do Norte, posteriormente Estados Unidos da América e regiões da América Central e Caribe, em condições muito similares às utilizadas no Brasil.

Trabalho e industrialização


A Revolução Industrial do século XVIII, ocorrida inicialmente na Inglaterra, trouxe enormes transformações nos meios de produção, no mundo do trabalho e no cenário urbano europeu. A produção industrial substituiu as manufaturas e a produção artesanal pela produção em série. O trabalhador passou a ser assalariado.
Antes, os artesãos tinham total controle sobre seus meios de produção. A partir da Revolução, deveriam obedecer aos horários, ao ritmo e à rotina da fábrica. Assim, o trabalhador não era mais dono do trabalho que realizava. É a chamada alienação do trabalho.
Com o desenvolvimento industrial, as paisagens urbanas foram se transformando radicalmente e uma rápida urbanização sem planejamento foi fator recorrente durante a industrialização. Aparecem também os cortiços, moradias precárias para abrigar os proletários que iriam trabalhar nas fábricas. Geralmente essas habitações eram propriedades dos próprios patrões, que também ganhavam dinheiro com alugueis.
O trabalhador passa a ter uma carga horária de 16 horas por dia, incluindo mulheres e crianças. Essas tinham condições de trabalho e de vida ainda mais precárias que os homens. Todas essas situações levaram a muitas manifestações dos trabalhadores por melhores condições de trabalho e de vida. Era uma situação clara: ao se criar o patrão, criava-se também o operário.
No século XIX, com a 2ª Fase da Revolução Industrial, ocorre um notável desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas às indústrias, às comunicações e aos transportes, integrando cada vez mais as distantes e distintas partes do mundo. Com a invenção do telefone, do trem a vapor e do automóvel, o deslocamento e a comunicação passaram a ser realizados de forma mais rápida. Surgem as estradas de ferro, que passam a realizar o escoamento da produção, além de transportar a matéria-prima, ou seja, propiciar a circulação mais rápida das mercadorias e também facilitar o transporte de passageiros

Mecanização do trabalho


A partir da segunda metade do século XX, verifica-se a mecanização de vários campos de trabalho. Mecanização é o uso de ferramentas e máquinas para substituir o trabalho dos seres humanos, mas também pode se referir ao uso delas para auxiliar uma operação humana. Assim, tivemos uma diminuição da demanda de mão de obra em diversos segmentos de produção. No entanto, a mecanização leva à necessidade de mão de obra especializada.
A extensão da mecanização em um processo de produção é chamada de automação, muito utilizada pela indústria pesada e montadoras de automóveis. Essas mudanças foram possíveis com o desenvolvimento de novas tecnologias.

Tecnologia no trabalho, desindustrialização e perdas de postos de trabalho


A partir da década de 1990 do século XX, é iniciada uma nova fase do trabalho com a entrada maciça de tecnologia de ponta, com uma incrível rapidez e performance. É a penetração das Tecnologias Digitais.
Com um clique instantâneo, os indivíduos se comunicam a milhares de quilômetros de distância. Exemplos dessas tecnologias são os computadores e suas ferramentas (e-mail, bate-papo, chats, redes sociais). Os transportes sofreram profundas e variadas mudanças nas formas e tipos. Tecnologia na medicina e nas formas de compras, vendas e pagamento, eliminam distâncias e dispensam as presenças físicas.
A forma de produção muda radicalmente a todo instante e as imensas fábricas de produtos poderão ser substituídas, em breve, pelas impressoras 3D.
Tudo isso traz profundas e constantes mudanças nas formas de trabalho e nas vidas de todas as pessoas. A tecnologia mostra-se profundamente presente e cria temores, desconfianças e constatações de perdas de salário, renda e empregos. Novas formas de trabalho são criadas como os aplicativos de transporte urbano, serviços de entregas, Inteligência Artificial e outras derivadas de tecnologia.

A evolução do trabalho




 







Somado a isso temos uma grave ameaça que vem do mundo financeiro: números mostram uma forte perda de força e de importância da indústria. Muitas delas vão sendo fechadas pelos países, principalmente naqueles de capitalismo periférico. O Brasil vem sofrendo muito com isso, de forma silenciosa. Como o investimento financeiro vem rendendo mais que o investimento industrial, quem poderia investir na indústria opta pela primeira forma. Esse é o capitalismo especulativo que rende sem nada produzir.
Para piorar, de forma assustadora, temos em 2020 a Pandemia de coronavírus, afetando de forma profunda a economia global. Isso é importante lembrar: toda a economia mundial está tendo e terá ainda mais problemas. Não será nossa exclusividade.

Mudanças trazidas, pensadas e necessárias com a Pandemia


O desconhecido sempre pode causar estranhamento e temor. Também pode nos surpreender. Criar novas possibilidades de se resolver problemas, ensinar e aprender. Ao mesmo tempo, porém, estamos em um momento em que as pessoas têm pouco espaço na cabeça para pensar em outras coisas que não seja saúde (incluindo a mental) e questão financeira. É um contexto quase insondável e vai ser difícil prestar atenção em outros temas.
Porém, algumas coisas parecem certas: a implantação da EAD (Educação a Distância) está sendo acelerada. É um caminho duplo: pode ser a oportunidade de uma definitiva introdução das tecnologias digitais no processo de ensino aprendizagem, mas, pode também significar uma piora nas condições de trabalho do profissional da educação.
Ainda são muitas dúvidas, mas, passamos a ter ainda mais certeza de que sem trabalho continua central na economia capitalista e que, sem o trabalhador a economia não subsiste. O trabalhador faz o trabalho e se faz pelo trabalho.
Muitas empresas irão apresentar ou aumentar os problemas durante a Pandemia. Afinal, esse é um omento único na história da humanidade. Não há mais volta “ à normalidade” de meses atrás. Assim, para problemas novos, devem ser apresentadas novas soluções que deverão ser pensadas à luz dessa nova realidade. O mundo está em contexto desconhecido e assim, caminha para uma solução ainda desconhecida.




Vander de Andrade
Professor de História/Historiador
Graduado em História e Especialista em Tecnologias Digitais e Educação 3.0

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