Do telefone fixo no século XIX ao smartphone no século XXI: tecnologia, evolução e aprendizagem


                                           


No atual cenário de impossibilidade das aulas presenciais e, ainda sem perspectiva segura de reabertura das escolas, o Ensino Remoto continua como a melhor opção existente para a Educação Básica.

Além disso, temos claro que o avanço e a presença da tecnologia têm alterado de forma profunda nosso cotidiano. As Tecnologias Digitais da Comunicação e da Informação (TDCIs), especificamente, influenciam nas formas de produção e de divulgação do conhecimento, potencializando as possibilidades de comunicação, interatividade, convergência tecnológica e no processo de ensino aprendizagem.

Podemos afirmar, desta forma, que as Tecnologias Digitais e a Cibercultura estão ocasionando profundas transformações em nossa maneira de ser, pensar e agir, criando o processo de ciborguização.

Podemos entender como Cibercultura, o “Conjunto de práticas, de atitudes, de significados, de símbolos, de modos de pensamento e de valores produzidos, experimentados e compartilhados no ciberespaço” (SALES, 2018 página 02). Já Ciberespaço “é aqui compreendido como o território que surge da interconexão mundial dos computadores, a internet. Não se refere apenas à infraestrutura material da comunicação digital, mas também ao universo oceânico de informações que ela abriga. É um espaço com existência tão real quanto qualquer outro” (SALES, 2018 página 03). Já a ciborguização é “Incorporação das tecnologias digitais em nossos modos de existência, em nossas práticas cotidianas, em nossas condutas, em nossas formas de pensar e de gerir a vida. A ciborguização altera nossa existência e acontece em diferentes graus de intensidade. Há práticas altamente ciborguizadas, que requerem elevado nível de conhecimentos cibernéticos, e outras nem tanto” (SALES, 2018 página 04). Esse termo vem do conceito de ciborgue: Originalmente o termo se refere a um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo. Com a multiplicação dos artefatos tecnológicos, nos últimos tempos, a noção de ciborgue tem-se ampliado para toda pessoa que tem sua existência mediada pela tecnologia digital.O que caracteriza o ciborgue é justamente o hibridismo, a mistura, a montagem que desmancha qualquer tipo de dualismo em sua composição. A “confusão” de limites entre organismo/máquina, natural/artificial, natureza/cultura se combina na configuração do ciborgue “(SALES, 2018 página 05).

O exemplo e símbolo maior desse caminho para a ciborguização das mudanças de relacionamentos sociais e nas formas de aprendizagem é o smartphone! Resultado da evolução tecnológica do telefone celular e do telefone fixo, o smartphone é um aparelho que reúne várias funções como câmera fotográfica, gravador de vídeo, compartimento de arquivo, calculadora, envio e recebimento de arquivos de áudios e vídeos, aplicativos para conversas, pagamentos bancários, transporte, alimentação, dentre outras, além das funções “originais”: falar e receber chamadas. Enfim, ele é um computador de mão, adaptado para o uso diário e constante. O smartphone é hoje a maior mostra de como as tecnologias alteraram e continuam a alterar nossa forma de existir. Há pessoas, muitas delas, que não conseguem se imaginar vivendo sem esse aparelho. Utilizam-no em todo momento da vida e estão conectados a ele como se os dois fossem um único ser.

Esse aparelho converge diferentes exemplos de tecnologias digitais e mídias tradicionais, com possibilidades de expandir nossa comunicação, “implodir” a educação tradicional ou potencializá-la a níveis de excelência! Esses extremos são possíveis devido ao crescimento da disponibilidade do produto no mercado, com a diminuição do preço, nos últimos tempos e a evolução do produto. Com ele em mãos os estudantes podem pesquisar, produzir e divulgar conhecimento em um aparelho móvel. Não podemos nos esquecer que todos os estudantes que freqüentam, até o Ensino Médio, são “nativos digitais”, ou seja, já nasceram em um contexto de naturalização da tecnologia. Assim, conseguem conviver com ela de forma natural.

Desta forma, podemos usar a evolução tecnológica e a disponibilidade adaptativa do smartphone para amenizar o problema da impossibilidade de aulas presenciais e utilizar sua potencialidade pedagógica de forma mais produtiva para o aluno e para o professor.


Uma pequena história: dos aparelhos de telefone fixo aos smartphones





O telefone fixo foi patenteado nos Estados Unidos pelo cientista norte-americano, de origem escocesa, Alexander Graham Bell, em março de 1876. O Brasil foi o segundo país do mundo a ter um telefone, devido ao então Imperador Dom Pedro II. O mesmo foi grande amigo de Graham Bell e ganhou um aparelho poucos meses após a invenção.

O século XIX foi um período em que ocorreu uma “explosão” de tecnologia sendo disponibilizada, semelhante ao período em que vivemos hoje. Como exemplo pode ser citada a curiosidade de que o telefone foi lançado na Filadélfia, em 1876, durante a Exibição Internacional Centenária, e a invenção competia com a lâmpada elétrica, um telégrafo musical, a máquina de escrever e o ketchup Heinz.

No início, cada aparelho só se comunicava com outro aparelho específico. Um a Um.

Com a popularização da tecnologia, no entanto, ficou inviável fazer ligações individuais entre cada aparelho. Assim, em 1878, começaram a surgir as centrais telefônicas com as famosas telefonistas;

Em 1885, Lars Magnus Ericsson (olha o sobrenome) criou o primeiro monofone, aparelho telefônico em que o fone e o bocal são acoplados em uma só peça;


                                                                  


O padre brasileiro Landell de Moura realizou, em 1893, a primeira transmissão de voz em telefonia sem fio.

Landell, inclusive, é mais conhecido pelo seu pioneirismo na ciência da telecomunicação do que como religioso, tendo desenvolvido uma série de pesquisas e experimentos que o colocam como um dos primeiros a conseguir a transmissão de som e sinais telegráficos sem fio por meio de ondas eletromagnéticas, o que daria origem ao telefone e ao rádio. Ele teria sido o genuíno inventor do rádio, mas, como não patenteou a invenção, não ficou reconhecido como tal;

Em 1962 os laboratórios Bell (nos Estados Unidos) lançaram o primeiro satélite mundial de telecomunicações, o Telstar. Isso foi um marco de avanço no setor;

Em 1966 são criados o telefone de discagem direta e a ligação automática. Assim, o número de vagas para telefonista começou a cair. No Brasil, no entanto, essa mudança demorou mais 20 anos para ser concluída.

O sistema de telefonia no Brasil, inclusive, sempre foi muito atrasado até a década de 1990. Neste período, quando o telefone celular já estava em funcionamento em muitas partes do mundo,aqui a maioria da população ainda não tinha acesso nem ao telefone fixo residencial;

Em 1963 a fibra óptica começa a ser usada para a infraestrutura de telecomunicações;

Em 1973, um cabo submarino ligou a cidade de Recife (Pernambuco) a Las Palmas (Ilhas Canárias-Espanha);

Também em 1973 ocorreu a primeira ligação móvel com uso do DynaTAC, protótipo da Motorola que pesava 1 quilo. Esse é considerado o “pai” do telefone celular.

Dois anos depois, em 1975, o Brasil passou a fazer parte do sistema de Discagem Direta Internacional (DDI).

Foi no Japão, em 1978, que os primeiros telefones móveis celulares foram ativados. No Brasil, isso aconteceu 20 anos depois com a Embratel.

Ainda sobre o telefone fixo, o mesmo disponibilizava uma espécie de “rede social”, antes mesmo da chegada da internet. Era o “Disque Amizade (145)”. Ao discar o número, o usuário era colocado em uma “conferência” com pessoas aleatórias. O serviço fez sucesso até os anos 2000, quando a internet começou a entrar cada vez mais nas casas dos brasileiros (via telefone).


No telefone celular, a tecnologia TDMA começou a dar espaço ao sistema GSM (Sistema Global para comunicações Móveis) em 2001 no Brasil, quando foram comercializados os primeiros chips com o padrão.

Em dezembro de 1992 a primeira mensagem SMS, via celular, foi enviada e dizia “Feliz Natal”. O envio das mensagens de texto só chegou a acontecer mesmo após a implantação das primeiras redes GSM e ficou popular nos anos 2000, com os planos pré-pagos das operadoras. De 2007 a 2010, subiu de 1,8 trilhão para 6,1 trilhões o número de SMS enviados mesmo com todas as limitações — como escrever apenas 160 caracteres por mensagem.

A partir dos anos 2000 muitas empresas entraram no mercado de celulares e passaram a oferecer aparelhos com mais funcionalidades além de ligar e atender. Calculadoras, câmeras, agendas,...

Em uma nova Revolução tecnológica nos aparelhos, eles passaram a ser fabricados com câmeras a cada dia mais precisas e vários aplicativos que oferecem uma imensa gama de variedades de serviços.

                                                                      



O smartphone e a  aprendizagem 


No atual cenário de avanço das tecnologias e crescente disponibilização de informações, o smartphone torna-se um importante recurso pedagógico, ainda pouco e mal explorado na Educação. Por enquanto pode ser dito que ele proporciona que uma série de infinidades pedagógicas seja trabalhada de acordo com a proposta do professor: além das óbvias funções de chamadas, ele tem o whatsapp, propicia condições de pesquisa, realidade virtual, produções de vídeos, construção de narrativas, programas de colaboração, construção de textos, registros escritos e fotográficos, gravação de áudios, acesso às redes sociais,...

Até o momento, em sala de aula, o smartphone tem mais atrapalhado que ajudado, pela forma que NÂO é entendido. É considerado causador de muitos problemas como vício em fones de ouvido, que faz os alunos ficar desconectados da aula, câmera possibilitando registros automáticos, fora do contexto da aula. Assim, causa descontração e não contribui no sentido pedagógico.

Na maior parte das escolas e das salas de aulas, o smartphone ainda é subutilizado, desperdiçando todo o seu potencial de qualificar o processo de ensino aprendizagem. Como grande parte dos professores e das gestões escolares estão despreparadas para o seu uso, essa ferramenta tecnológica acaba mais por assustar do que possibilitar uma forma produtiva para aprender.

Porém, em um contexto em que as novas tecnologias se tornaram essenciais na educação e os alunos sempre têm em suas mãos smartphones e estão inseridos no meio on-line, como educadores podem utilizar essas ferramentas como aliadas no processo de aprendizagem?


· Tendo em vista que a sociedade está imersa no meio digital, a Educação não pode deixar de fazer parte desse mundo;

· Os aparelhos podem potencializar e viabilizar atividades a distância, inclusive a leitura;

· O smartphone pode se usado como forma de pesquisa de conteúdo. Antes do conteúdo em si, no entanto, é fundamental orientação sobre como pesquisar. Saber como pesquisar, utilizando temática correta, palavras chave apropriadas, é tão importante quanto saber o que pesquisar;

· Utilizar as redes sociais direcionadas para uso pedagógico. Criar grupos de discussão, debates e fóruns temáticos.. Essa prática possibilita maior participação e envolvimento do aluno e instiga os alunos a buscar referências e fontes na internet para basearem seus argumentos e opiniões.

· Propor o uso dos aparelhos para a produção de conteúdo digital. São possíveis atividades que explorem recursos como comunicação por meio do whatsapp, as câmeras para fotografias, gravação de vídeos ou a função para gravação de áudios. Criação de documentários, noticiários, entrevistas e produção de filmes curtos estão entre as opções.

· Atualmente são disponibilizados milhares de aplicativos com conteúdo educativo, que podem ser produtivos para o aluno e para o professor;

· Existem também milhares de aplicativos temáticos, por disciplina com muitas funcionalidades e conteúdo. Também há muitos perfis temáticos no Instagram com funções e conteúdos similares;



Necessidade de Regulação 


Porém, é importante ressaltar que o uso do smartphone sem nenhuma estratégia ou planejamento não é recomendado. O esperado é que o professor pense e analise as possibilidades, junto da coordenação, para que o aparelho seja aproveitado de maneiras lúdico e produtivo no campo pedagógico, voltado para o estímulo da curiosidade e motivação do aluno.

Quando utilizados da maneira correta, os smartphones têm o poder de potencializar a motivação e o nível de aprendizagem dos alunos. Além de serem ótimas ferramentas de apoio ao professor. Com eles, é possível incrementar as aulas e oferecer conteúdos mais interativos e que despertem o interesse do aluno.

Assim, essa ação pode ser benéfica para os alunos e para os professores, pois é possível aproveitar desses instrumentos para preparar aulas, realizar avaliações e testes, e até mesmo a correção de atividades, otimizando o tempo necessário e agregando qualidades na aula para os alunos e na vida para os professores. 


Você pode acessar o link abaixo e verificar curiosidades e informações técnicas sobre a evolução dos celulares até os smartphones:


Já no link abaixo você verificar interessantes informações sobre as classificações dos smartphones quanto a preços e especificações técnicas:



REFERÊNCIAS




ALES, S. LÉXICO CIBORGUE.


SALES, Shirlei. Potência Ciborgue: notas para escapar de ciladas teóricas em análises sobre currículos e tecnologias digitais. In: AGUIAR, M.A.S; MOREIRA, A.F.B; PACHECO, J.A.B. Currículo: entre o comum e o singular. Editora Anpae, 2018.Disponível em:https://www.anpae.org.br/BibliotecaVirtual/2-Coloquio/Serie7.pdf. (Páginas 236 à 247)


Vander de Andrade
Professor de História/Historiador
Graduado em História e Especialista em Tecnologias Digitais e Educação 3.0

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