Os possíveis usos de vídeos e do YouTube na aprendizagem


   
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Tecnologias e Vídeo na aprendizagem 

O avanço e a presença da tecnologia têm alterado de forma profunda nosso cotidiano. As Tecnologias Digitais da Comunicação e da Informação (TDCIs), especificamente, influenciam nas formas de produção e de divulgação do conhecimento, potencializando as possibilidades de comunicação, interatividade, convergência tecnológica e no processo de ensino aprendizagem. Cotidianamente vemos os paradigmas de a educação tradicional serem quebrados e novas possibilidades de aprender e ensinar são criadas todos os dias.

Essas situações, inicialmente assustadoras, são potencializadas pela mobilidade de informações que podem ser transmitidas de forma muito rápida e o acesso estar disseminado por toda a infinita rede mundial de computadores, a internet. Junto a ela, as TDCIs podem retransmitir, conectar, interligar as pessoas em todas as partes do mundo.

Uma, dentre as inúmeras ferramentas que podem ser usadas no processo de ensino-aprendizagem é o vídeo, que tem o potencial de aproximar o real do virtual, o visual do sensorial, o conhecimento acadêmico do operacional, tornando os ambientes educacionais tradicionais mais interativos, concretos e dinâmicos.

Para atender as novas exigências da sociedade da informação e, principalmente, devido às impossibilidades da escola presencial neste momento, o vídeo é investido de um papel determinante na configuração do “novo normal” na aprendizagem. Neste contexto de mudanças, o professor é um elemento fundamental para realizar a mediação dessa construção de conhecimento.

E quando se fala de vídeo, estamos falando de filmes, curtas, documentários e... YouTube. Muitos professores ainda são resistentes para usá-los como recurso pedagógico. Dizem que os alunos se perdem naquele mundo infinito ou que lá não existem “aulas verdadeiras”, mas, a sua existência é um fato e sua presença cresce de forma assustadora a cada dia. Assim, é impossível e pouco aconselhável negar a sua existência. Além disso, já temos estudos acadêmicos sobre esse fenômeno.



Fundamentos do uso do vídeo na educação 


Quando o vídeo começou a ser usado na educação, foi projetada nele a solução para vários problemas no campo da aprendizagem. No entanto, como várias outras estratégias metodológicas, ele é “apenas” mais um elemento no processo de ensino. Seja pelo aspecto sensitivo potencialmente despertado pela obra ou pela sua legitimidade como documento, o audiovisual traz em si uma enorme carga de possibilidades de estudos e pesquisas.

Como qualquer ferramenta metodológica, no entanto, o seu uso demanda preparação e planejamento. É necessário que o vídeo seja parte de um tema, de um projeto. Ele não pode ser inserido sem ligação com o conteúdo que está sendo ou que será ministrado. É fundamental também que o professor tenha conhecimento sobre a obra que será apresentada e se a turma que irá assistir poderá usufruir dela.

No ensino de História o uso do vídeo é fundamental. Através dele podemos dar cores e formas a um período, a um tema histórico estudado. O filme funciona quase como "uma máquina do tempo" para os alunos. Por meio dele é possível utilizar o recurso de storytelling, de um personagem histórico, de um tema e, a partir disso, mergulhar no estudo histórico, inserindo discussões conceituais e terminologias específicas da História. Desta forma, o vídeo pode e deve ser usado em sala de aula ainda, mas, por incrível que pareça, ele ainda não é considerado um recurso metodológico em pleno ano de 2020. O vídeo, ao tocar o sensitivo antes do racional, tem o poder de seduzir, encantar e abrir as possibilidades para outras formas de conhecimento, além da leitura porque traz, além da imagem, a música, a estética, as roupas, enfim, um mundo novo de aprendizado.

Abordar um tema com o auxílio de um filme, por exemplo, pode facilitar a leitura e a análise de tex­tos para alunos que têm dificuldade de interpretação. Existe a tendên­cia de que espectador e personagem “se misturem”, cri­ando identificação.

O vídeo está ligado à televisão e a um contexto de lazer e entretenimento. É preciso aproveitar essa expectativa positiva para atrair o aluno para os temas do vídeo e do planejamento pedagógico.


Os recursos audiovisuais podem ser vistos como uma ferramenta tecnológica educacional quando usados como parte de um conjunto de ações na escola, no lar ou em outro local com o objetivo de ensinar e/ou aprender, envolvendo uma relação com um professor ou um aluno.


YOUTUBE


O Youtube é um site/plataforma que disponibiliza recursos para que o usuário possa publicar e assistir vídeos em streaming, sem necessidade de altos níveis de conhecimento técnico e dentro de mínimas condições tecnológicas dos programas de navegação. Esses vídeos podem ser amadores ou profissionais e assim, num mesmo ambiente, acessamos postagens caseiras e também grandes produções das indústrias de entretenimento, conhecimento, moda e inúmeras outras áreas de interesse humano.

A expansão do uso seja como produtor de conteúdo ou apenas espectador se deve a facilidade de postar e compartilhar os vídeos. A maioria das pessoas que busca algum tipo de conhecimento já aprendeu/internalizou que “é só procurar no Youtube”. Acessam a plataforma para os mais diversos fins: fazem cursos, assistem clipes, atualidades, etc. Histórias e personagens são criadas e contadas por Youtubers que ganham espaço na vida dos jovens que sonham em se tornar como eles. É necessário analisar que esses criadores foram pioneiros ao estabelecer um novo formato, uma nova linguagem para o YouTube que são diferentes da TV e do cinema.

A possibilidade do compartilhamento do conteúdo com todas as mídias digitais que temos hoje é outra vantagem da plataforma, pois, as pessoas podem levar suas ideias para várias e diferentes partes do mundo. Essas facilidades contribuem bastante para o sucesso da plataforma, de maneira que possibilita a pessoas leigas a utilizarem.

Todos esses fatores colocam o Youtube como um dos principais canais de informação atualmente existentes. No entanto, é fundamental utilizar o “filtro de qualidade” para o conteúdo, afinal, muitos vídeos não apresentam o conteúdo de uma maneira correta ou até mesmo honesta. Assim, para utilizar o YouTube é necessária, além da criatividade, a visão crítica.

A plataforma foi fundada por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim, ex-funcionários do site de comércio on-line PayPal e lançado oficialmente, sem muito alarde, em junho de 2005. Em outubro de 2006 o Google pagou 1,65 bilhões de dólares por ele, o que demonstrou o impacto do sucesso da inovação. É tão popular que atualmente exibe mais de 170 milhões de arquivos por dia e, também diariamente, os usuários postam mais de 100 mil novos arquivos. Assim, essa ferramenta exige muito dinamismo e curadoria para usar os vídeos como recurso pedagógico.

Números de pesquisa realizada pelo próprio Google durante essa Pandemia informam: 








Esses números reafirmam a presença e a influência dessa plataforma em nosso cotidiano, alterando nossas formas de ver e de nos relacionar com o mundo.

Podemos afirmar que dentro do YouTube temos a expressão da Cultura Participativa que pode ser entendida como o espaço/tempo virtual disponibilizado pela plataforma em que os usuários são, ao mesmo tempo, consumidores e produtores de conteúdos os mais diversos já pensados e realizados ao longo da história da humanidade. De orientações sobre como trocar o chuveiro do banheiro de casa a uma aula sobre Física Quântica, tudo pode ser consultado, produzido e disponibilizado a todas as pessoas que tenham acesso à internet através de PC, smartphone, tablet e possuam os mínimos conhecimentos sobre tecnologias digitais.

Assim, o Youtube propicia condições de produção e divulgação da cultura popular, tornando o conteúdo disponível para acesso em qualquer parte do mundo que possua conexão com a internet. Ao mesmo tempo, a plataforma fornece condições para que as mesmas pessoas que realizaram a divulgação possam consumir conteúdo produzido por uma grande empresa produtora de cultura e entretenimento massificado.

É necessário entender, no entanto, que as duas situações apontadas acima fazem parte das novas configurações econômicas e culturais que essa cultura participativa representa. Por ser um site de ruptura cultural e econômica, o Youtube não traz somente essas possibilidades de produção e divulgação culturais, ele estabelece um novo modelo de negócio para o campo da cultura e do conhecimento compartilhados. 




REFERÊNCIAS


BURGESS, Jean; GREENE, Joshua. YouTube- Como o maior fenômeno da cultura participativa transformou a mídia e a sociedade.São Paulo: Aleph,2009

MORAN, José. O vídeo na sala de aula. Revista Comunicação & Educação. São Paulo, ECA-ED. Moderna, [2]: 27 a 35, jan./abr. de 1995. Disponível em: https://virtual.ufmg.br/20191/mod/folder/view.php?id=83113. Acesso em: 07 julho de 2020.

PEREIRA, Josias; MATTOS, Daniela Pedra. A produção de vídeo na prática escolar: Análise do I Festival de Vídeo Estudantil da cidade de Capão do Leão/RS- BRASIL. Revista Tecnologias na Educação- Ano 9-Número/Vol.19- Julho 2017.

ROHRER, Cleber Vanderlei; OLIVEIRA, Cesar Augusto Alencar. A utilização dos recursos audiovisuais em sala de aula. Rev. Ibirapuera, São Paulo, n. 14, p. 46-50, Jul/Dez 2017.




Vander de Andrade
Professor de História/Historiador
Graduado em História e Especialista em Tecnologias Digitais e Educação 3.0

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