Limites e possibilidades da produção acadêmica em Educação chegar à sala de aula

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Debater sobre limites e possibilidades da produção acadêmica em educação tem se tornado, a cada dia, missão das mais difíceis (e tudo indica que se tornará ainda mais), não somente no âmbito profissional, mas, também, nos ambientes de convívio sociais e familiares, devido ao contexto político atual, de flagrante ataque aos aparelhos de ensino, pesquisa, ciência e, enfim, de produção do conhecimento em nosso país.
Ao longo da história humana os homens, desde a Pré História, produziram e transmitiram conhecimentos práticos sobre o cotidiano, que diziam respeito à manutenção e à reprodução da vida. Assim, aprender era necessidade para continuar sobrevivendo. Ou seja, estava implícita a necessidade de produzir e repassar o conhecimento para garantir a sobrevivência da espécie. Milênios depois a ciência começa a ser constituída como novo campo do conhecimento. Estudos e pesquisas são expandidos, novos conhecimentos são produzidos e é iniciado o processo de estudar e analisar a própria produ…

Como pesquisas acadêmicas podem nos ajudar a ensinar melhor?

  

Como pesquisas acadêmicas podem nos ajudar a ensinar melhor?

                              



Autora: Dr Flávia S Belham

PhD em Neurociências pela University College London, Professora de Ciências e Cientista Chefe da Seneca Learning - a plataforma online gratuita com mais de 4 milhões de usuários.



Este post é fruto da parceria entre o blog e a Plataforma Seneca Learning

Muitos pesquisadores do ramo da neurociências estudam os processos de aprendizagem e publicam seus resultados em artigos científicos. Entretanto, muitos desses artigos não chegam até as escolas, os professores e, muito menos, os alunos. Isso é uma pena porque tal conhecimento científico pode nos ajudar muito! 
Pense no seguinte: para um engenheiro aprimorar um carro, ele precisa entender como os motores funcionam, certo? Então, para que um professor melhore a aprendizagem dos seus alunos, ele precisa usar técnicas baseadas em como o cérebro funciona. Por isso, selecionei algumas pesquisas para apresentar para vocês. Todas já foram validadas e publicadas diversas vezes e são amplamente aceitas na comunidade científica.

Estratégias de aprendizagem dos Learning Scientists

As Learning Scientists são um grupo de pesquisadoras nos Estados Unidos e no Reino Unido que investiga diferentes técnicas de ensino e de aprendizagem. Elas definiram 6 técnicas que todos deveriam usar:

1. Elaboração

Essa técnica envolve pedir aos alunos para descrever e explicar o conteúdo com o máximo de detalhes possível, bem como vinculá-lo a outros conteúdos e experiências pessoais. A vantagem de usar essa técnica é que os alunos criam conexões entre a nova informação e coisas que eles já sabem, tornando a aprendizagem mais robusta. Uma maneira simples de usar a técnica de elaboração é dizer aos alunos para fingir que são os professores e tentar explicar o conteúdo aos seus colegas.

2. Prática Espaçada

Para usar a prática espaçada, ajude seus alunos a planejarem com antecedência seu cronograma de estudos. Ao revisar o conteúdo em aula, certifique-se de revisar não apenas a lição anterior, mas também o conteúdo mais antigo. A ideia é que é melhor estudar de pouco em pouco, sempre revisando o conteúdo anterior, do que estudar 24h por dia 3 dias antes da prova e depois esquecer tudo no dia seguinte.

3. Prática de intercalação

Essa é a prática de intercalar tópicos na hora do estudo ou das atividades. Por exemplo, se o professor de matemática está trabalhando áreas… normalmente, o professor vai ensinar a fórmula da área do quadrado e passar 10 perguntas sobre o assunto. Depois, ensina a fórmula da área do triângulo e passa mais 10 perguntas. Mas essa não é a maneira mais eficiente. É melhor para o aluno que ele aprenda uma fórmula, faça 1 ou 2 exercícios, aprenda a outra fórmula e ai resolva exercícios sobre ambas as fórmulas. Isso porque, da primeira forma, os alunos já sabem como resolver o exercício antes mesmo de ler a pergunta! Então eles aprendem menos do que se tiverem que realmente entender o enunciado e descobrir qual é a fórmula relevante.

4. Uso de exemplos

Ao ensinar, use tantos exemplos quanto possível, vinculando o conteúdo a cada exemplo. A conexão entre exemplos e conceitos deve ser clara e detalhada.

5. Codificação dupla

A codificação dupla é a estratégia de usar diferentes mídias para ensinar e aprender. Por exemplo, o uso de diagramas, cronogramas, infográficos, mapas mentais e cores ajuda os alunos a entender conceitos e também a se lembrar melhor deles. No entanto, tenha cuidado para não usar muitas fontes ao mesmo tempo, pois isso pode acabar confundindo os estudantes.

6. Prática de recuperação de memória

A prática de recuperação de memória é a ideia de que nós aprendemos melhor se solucionamos problemas e respondemos à questões, em vez de ler um texto passivamente. Essa é a base das metodologias ativas. Portanto, você pode sempre passar testes que valham bem pouca nota (ou nenhuma nota) para seus alunos. O objetivo não é avaliá-los e passar ou reprovar de ano. O objetivo é que eles revisem o conteúdo trabalhado de forma ativa. É importante que as respostas sejam verificadas para que você corrija qualquer erro conceitual que os alunos tenham. Os alunos também podem criar suas próprias perguntas e trocá-las com os colegas.

É mais fácil entender o benefício dessa técnica se você pensar em um labirinto onde o centro é a pergunta e a saída é a resposta correta para essa pergunta. Se os alunos revisarem o conteúdo sempre lendo e relendo o mesmo texto repetidamente, eles terão apenas um caminho que leva da entrada do labirinto à saída. Entretanto, se eles responderem a diversas perguntas durante os estudos, é como se criassem múltiplos caminhos que os levam até a saída do labirinto. No final das contas, eles estarão mais preparados para exames e futuros aprendizados.

Seus alunos podem ficar frustrados no início porque a prática de recuperação parecerá mais difícil e menos útil do que usar estratégias passivas. Mas é para ser assim mesmo. Aprendemos melhor quando o aprendizado é difícil. Ficar “preso” e finalmente seguir em frente é uma ótima maneira de aprender algo e nunca esquecer.

A plataforma Seneca

Bom, todas essas estratégias são ótimas, mas elas são mais trabalhosas, principalmente durante o ensino remoto. Por isso, eu e meus colegas da Seneca criamos uma metodologia que utiliza todas as técnicas das Learning Scientists. Essa metodologia faz parte da nossa plataforma online de ensino e é oferecida gratuitamente para 4 milhões de professores e estudantes.

Além de fornecer material de estudo para os alunos utilizando metodologias ativas e as técnicas que eu apresentei nesse texto, a Seneca também traz atividades que os professores podem passar aos alunos. É tudo corrigido automaticamente e a Seneca gera o relatório de notas. As atividades podem, inclusive, ser passadas pelo Google Classroom, Whatsapp ou outras plataformas que os professores já estejam usando.

Temos materiais gratuitos para ensino fundamental, ensino médio e pré-ENEM. Clique AQUI para conhecer nosso projeto e ajudar seus alunos a aprender ainda melhor.




Vander de Andrade
Professor de História/Historiador
Graduado em História e Especialista em Tecnologias Digitais e Educação 3.0
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