Entenda a importância das eleições municipais em 2020

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Mesmo com a Pandemia de coronavírus e todas as suas conseqüências, teremos em novembro as eleições municipais, que irão eleger prefeitos e vereadores nas cidades do Brasil. Devido à crise sanitária, a votação foi adiada de outubro para novembro: o primeiro turno será no dia 15 e o segundo turno ocorrerá no dia 29.Mesmo com todas as restrições impostas pela crise da doença, é importante ter a eleição neste ano. Basta lembrar que os Estados Unidos da América também mantiveram as eleições para a presidência em 2020.O voto é muito importante em nosso contexto político, ainda que tenhamos que discutir, de maneira urgente, a Democracia Representativa que temos hoje. Da maneira como ela funciona, grande parte da população acaba sendo excluída das decisões políticas e somente participa do processo político nas eleições, a cada dois anos. É necessário compreender, no entanto, que política é algo muito maior que votação. Temos visto nos últimos anos várias novas formas de participação política,…

Limites e possibilidades da produção acadêmica em Educação chegar à sala de aula


Debater sobre limites e possibilidades da produção acadêmica em educação tem se tornado, a cada dia, missão das mais difíceis (e tudo indica que se tornará ainda mais), não somente no âmbito profissional, mas, também, nos ambientes de convívio sociais e familiares, devido ao contexto político atual, de flagrante ataque aos aparelhos de ensino, pesquisa, ciência e, enfim, de produção do conhecimento em nosso país.

Ao longo da história humana os homens, desde a Pré História, produziram e transmitiram conhecimentos práticos sobre o cotidiano, que diziam respeito à manutenção e à reprodução da vida. Assim, aprender era necessidade para continuar sobrevivendo. Ou seja, estava implícita a necessidade de produzir e repassar o conhecimento para garantir a sobrevivência da espécie. Milênios depois a ciência começa a ser constituída como novo campo do conhecimento. Estudos e pesquisas são expandidos, novos conhecimentos são produzidos e é iniciado o processo de estudar e analisar a própria produção de conhecimento. Assim, a ciência passa a ser vista e a se ver no espelho.

Uma das formas de consolidação da ciência foi o desenvolvimento do método de pesquisa. Era ele que proporcionava as condições de se buscar, sistematicamente, o conhecimento. Em alguns casos extremos, chegou-se a confundi-lo com a própria ciência. Exageros à parte, ele contribuiu para distinguir o conhecimento científico de outras formas de conhecimento como o senso comum, ou o religioso. A ciência então, ganha ares de respeitabilidade e mesmo de autoridade.

Contemporaneamente a produção de conhecimento científico aumentou em quantidade e qualidade vertiginosas. Várias pesquisas, avanços na medicina e produtos têm chegado até nós de forma maciça. Temos, no entanto, algumas especificidades: a produção científica não é e não pode ser considerada isolada da sociedade. Assim, ela sofre as influências políticas, sociais e comercias de seu tempo. Está imbuída de alguma ideologia, como qualquer produção humana. Afinal, “todo conhecimento produzido, em qualquer instância e organização da vida humana, tem sempre um caráter social”. Aragão e Mendes Neta (2017).

Nas pesquisas relacionadas ao campo da Educação, no Brasil, temos outro sério problema que é fazer esse conhecimento chegar até a ponta final, até o “consumidor final”. A divulgação científica é falha e a decantada distância entre a Academia e as salas de aula das escolas (principalmente as públicas), faz com que os resultados das pesquisas e dos trabalhos científicos fiquem nas prateleiras das bibliotecas ou nos arquivos virtuais das Universidades. Porém, “... o mero conhecimento é, em si, algo abstrato. Para ter valor concreto é necessário que seja aplicado ou, pelo menos, comunicado. Somente desse modo ele se torna objetivo e entra para o acervo das conquistas da humanidade”... (GALLIANO, 1979)

Na maior parte das escolas, como exemplo, o processo de ensino aprendizagem ainda é baseado no repasse de conteúdo e divisão das disciplinas, ainda que outras metodologias e práticas pedagógicas posteriores, como a aprendizagem por projetos, existam há bastante tempo. A aplicação de Tecnologias Digitais através de Metodologias Ativas é quase ferramenta de outro planeta! A conclusão deveria ser a óbvia: “a sala de aula presencial é um dos principais lugares de construção e difusão do conhecimento” (ARAGÃO, 2017).

Temos atualmente outro fator alarmante e assombroso: as escolas, os professores, as Universidades e enfim, a produção de conhecimento sofrem inacreditáveis ataques do governo federal brasileiro, desde que este assumiu em Janeiro de 2019. Os ataques têm objetivos de desacreditar a construção de conhecimento e estabelecer um sistema de superficialidade educacional, com vistas à manutenção do poder por quem lá está. Assim, as tarefas de produção e divulgação de conhecimento na Educação tornam-se ainda mais complexas.

Desta forma, as possibilidades de produção acadêmica, com posterior divulgação e prática em sala de aula, dependem a cada dia mais de uma aproximação entre a Academia e as escolas. Levar os professores das Universidades para vivenciar o cotidiano das escolas e levar os professores das escolas para dentro das Academias, pode ser uma possibilidade de choque e de troca de aprendizagem por meio das respectivas realidades vividas. Assim, a produção, a divulgação e a execução do conhecimento científico estariam na mesma esteira de ações.





REFERÊNCIAS:

ARAGÃO, José Wellington; NETA, Maria Adelina Hayne Mendes. Como se produz conhecimento acadêmico-científico. In.: Metodologia científica. Salvador: UFBA, Faculdade de Educação, 2017.

ARAUJO, Carlos Alberto Ávila. A ciência como forma de conhecimento. Belo Horizonte/UFMG: Revista Ciência e cognição, 2006. Vol. 08: 127-142.

GALLIANO, Guilherme. O método científico: teoria e prática. São Paulo: HARBRA, 1979. 





Vander de Andrade
Professor de História/Historiador
Graduado em História e Especialista em Tecnologias Digitais e Educação 3.0
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